sexta-feira, 17 de novembro de 2017

IV CONFERÊNCIA DO CENTRO DE ESTUDOS AFRICANOS DA UEM


A IV conferencia internacional do Centro de Estudos Africanos (CEA), da Universidade Eduardo Mondlane, acontecerá nos dias 29 e 30 de Novembro de 2017


O Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane (CEA-UEM), em parceria com o Fundo Nacional de Investigação (FNI),  convida para a submissão de resumos à sua IV Conferência Internacional, a decorrer nos dias 29 e 30 de novembro de 2017, subordinada ao tema «Do conhecimento às decisões: desafio para um diálogo social permanente».
Os melhores textos completos serão submetidos à revisão de pares e, se aceites, serão publicados num número especial da Revista Científica da UEM.
Público-alvo: investigadores, docentes, estudantes, jornalistas, membros da sociedade civil e outros interessados.
Eixos Temáticos
  1. Dinâmicas de Pesquisa em Saúde Pública, Sexual e Reprodutiva;
  2. População, Planeamento Territorial e Gestão de Terras;
  3. Agro-pecuária, Soberania e Segurança Alimentar;
  4. Exploração Sustentável de Recursos e Gestão de Desastres Naturais;
  5. Criança e Sociedade: Direitos, Educação e Saúde;
  6. Governação, Cidadania e Participação Política;
  7. Comunicação e Interculturalidade: os Media, Artes e Línguas;
  8. Dinâmicas Educacionais: Ensino, Pesquisa, Currículo e Papel das Universidades no século XXI;
  9. Património Cultural e Turismo.

UFRB RECEBE VISITA DE ESTUDANTES DE 14 PAÍSES AFRICANOS


Veja a seguir, matéria publicada no site da UFRB, que aqui reproduzimos com satisfação



Um grupo de 28 pessoas do continente africano visitou ontem (13), à tarde, a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Campus Cruz das Almas, para conhecer a infraestrutura e a história de implantação da instituição de ensino, pesquisa e extensão.
Oriundos de 14 países, os integrantes do grupo estavam acompanhados do coordenador Bruno Martins, do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), vinculado ao Instituto Brasil África (Ibraf); e do professor da UFRB, Marcos Roberto da Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Mandioca.

Eles foram recebidos pelo reitor Silvio Luis de Oliveira Soglia; e pela vice-reitora Georgina Gonçalves dos Santos, que explicaram a origem da UFRB; os processos de acesso aos cursos de graduação e pós-graduação e os intercâmbios internacionais que a UFRB mantém com universidades africanas em Moçambique e Angola.
O reitor Silvio Soglia falou do desejo da UFRB em ampliar as cooperações técnico-científicas e o intercâmbio com outras universidades e institutos de ensino e pesquisa africanos e agradeceu a visita da comitiva.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

ANGOLA: OS LEGADOS DO PASSADO, OS DESAFIOS DO PRESENTE


Se encerra no próximo dia 30 de Setembro a submissão de propostas para a Conferência Internacional Angola: os legados do passado, os desafios do presente, organizada pelo Centro de História da Universidade de Lisboa, o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, o Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL e o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

O evento ocorrerá nos dias 14 e 15 de Novembro de 2017, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Línguas de trabalho: português, inglês, espanhol e francês.

Datas importantes:
Prazo para submissão de propostas:
                     30 de Setembro de 2017
Notificação de aceitação:
                     16 de Outubro de 2017
Divulgação do programa:
                     30 de Outubro de 2017

Para mais informações e submissões, por favor, ver:

http://www.centrodehistoria-flul.com/congressoangola.html#Form

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

OS QUE NÃO FORAM À GUERRA EM ANGOLA

O Centro de História da Universidade de Lisboa, dando  continuidade ao ciclo de Seminários de História de África,  realizará Conferência  com o Dr. Marcelo Bittencourt da Universidade Federal Fluminense.

Tema: Os que não foram à guerra. Angola na última fase colonial (1961-1975)
Data:  27 de Setembro, às 18h00. 
Local: Sala D. Pedro V (Piso 1) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Veja  mais informações no link abaixo 
     
http://www.centrodehistoria-flul.com/abertura/os-que-nao-foram-a-guerra-angola-na-ultima-fase-colonial-1961-1975-ciclo-de-seminarios-de-historia-de-africa-seminarios-ch-ulisboa

domingo, 17 de setembro de 2017

BANCO DE DADOS SOBRE TRÁFICO ATLÂNTICO

Carlos Jr. analisa nesta excelente resenha, publicada na revista Afro -Ásia,  o trabalho de David Eltis,  e equipe, no mapeamento do tráfico transatlântico. 

Mapeando o tráfico transatlântico de escravos

ELTIS, David, e RICHARDSON, David. Atlas of the Transatlantic Slave Trade. New Haven & Londres: Yale University Press, 2010. 307p.


David Eltis e David Richardson têm dedicado grande parte de suas carreiras a quantificar e entender o tráfico atlântico de africanos em sua complexidade. Um primeiro passo nesse sentido foi o lançamento, em 1999, de um banco de dados contendo informações sobre milhares de viagens negreiras.1 Anos mais tarde, os autores disponibilizaram ao público uma versão online mais atualizada desses dados, o Transatlantic Slave Trade Database, resultado do esforço coletivo de dezenas – provavelmente centenas – de historiadores ao redor do mundo.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

NOVA DESCOBERTA NO EGITO ANTIGO


Matéria assinada por Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo, de 13 Setembro 2017

Uma tumba do antigo Egito com múmias, sarcófagos e joias de mais de 3.500 anos foi encontrada na necrópole de Draa Abul-Naga, uma área onde eram enterrados nobres egípcios na margem esquerda do rio Nilo. A área fica próxima ao Vale dos Reis, famosa necrópole onde há tumbas de diversos faraós.



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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

UP DEBATE DESENVOLVIMENTO

Acontece nesta sexta,  dia primeiro de setembro,  na Universidade Pedagógica, em Nampula um debate sobre o corredor de desenvolvimento Norte. Como  expositores teremos a presença dos doutores  Severino Ngoenha e José Castiano.  O  evento ocorrerá às 15h, no campus de Napipine.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

UP DEBATE MIGRAÇÃO AFRICANA

A Universidade Pedagógica de Moçambique, Delegação de Nampula, realizou no dia 24 de agosto uma mesa redonda sobre Migração africana, no aconchegante anfiteatro do Campus de Napipine. A abertura do evento ficou a cargo do diretor pedagógico da delegação. Em seguida foi composta a mesa para  apresentação de três palestras com os professores Arsênico Cuco e Sérgio huó e os estudantes Baldomiro  Marquês e Ramalho  Robate. 

A primeira palestra, intitulada de Migração, bulimia social e o medo do estranho, abordou os paradoxos que o mundo da imigração apresenta como o medo econômico de perder espaço para o estrangeiro; medo provocado pela diferença religiosa, o medo de turistas...Medos que provocam estabelecimento de fronteiras para excluir uns grupos e incluir outros. Mas o Dr. Arsênio Cuco  destacou que "nossas culturas foram produzidas nas circulações,  como define Achille  Mbembe."

A segunda palestra tratou  de Identidade social, etnicidade, cultura e sentimento de pertença. O Dr. Huó procurou identificar causas das migrações chamando atenção para o papel das guerras e catástrofes naturais como os principais motivos que levam as pessoas a abandonarem  casas,  localidades e países. Essa movimentação causa traumas físicos e emocionais e tem impacto na definição de identidades,  individuais e coletivas, como pode ser observado no caso do  Centro de Refugiados de  Maratane que concentra quantidade significativa de  refugiados da região dos Grandes Lagos, especificamente da República Democrática do Congo,   Ruanda e Burundi. O centro de Maratane é  um exemplo de formação de identidade social em contexto multicultural e revelador  de como as identidades  são  relacionais,  dinâmicas,  social e  culturalmente construída e reconstruídas.

A terceira palestra foi proferida conjuntamente pelos estudantes do curso de História da UP  Nampula,  Baldomiro  Marquês e Ramalho  Robate que exploraram a temática da migração africana e seus impactos socioeconômicos na cidade de Nampula. Exploraram as mudanças de hábitos e nas relações pessoais mas,  principalmente,  as transformações  econômicas decorrentes dos recursos que os migrantes trazem para a cidade.

A intenção da UP é transformar esse tema em um ponto de reflexo permanente. A iniciativa da mesa  redonda foi  muito bem recebida pelos alunos que lotaram o anfiteatro e se inscreveram em grande número para se manifestar na sessão de debates que teve lugar logo após as palestras.

HISTÓRIA DA ÁFRICA: CONCURSO


REPASSANDO...

Bom dia!

Gostaria de pedir a gentileza de nos ajudarem na divulgação de concurso público na Unifesspa. Duas vagas para a área de História:

Ensino de História – Xinguara/PA
História da África e História e Cultura Afro-Brasileira – Marabá/PA


O edital pode ser encontrado no link a seguir:



Atenciosamente,

-- 
Roberg Januário dos Santos
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará - Unifesspa.
Professor e Coordenador do Curso de Licenciatura em História de Xinguara.
Instituto de Estudos do Trópico Úmido.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

REVISTA AFRO-ÁSIA LANÇA NOVO NÚMERO


A edição 54 da Revista Afro-Ásia foi publicada e já está on line. A capa mostra a imagem do Largo Dois de Julho. O sobrado, à esquerda, é a atual sede do Centro de Estudos Afro-Orientais, com fachada reformada. Se trata de um postal da Litho-Typ. Almeida, datado de agosto de 1908.


Veja o link  a seguir

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA EM NAMPULA


Estou em Nampula e resolvi visitar o Museu Nacional de Etnografia. Instalado num amplo espaço, tem área para 2 exposições permanentes e uma temporária, biblioteca e mais área externa onde encontramos restaurante, salas para cursos e muitas oficinas com artistas produzindo e comercializando uma grande variedade de peças.

Podemos ver como produzem suas  obras. Usam madeira negra e fazem peças de todos os tamanhos e tipo, sempre de um único pedaço da madeira.  Todas  talhadas com uma riqueza de detalhes e extrema complexidade.  
O trabalho desses artistas e as exposições permanentes apresentam ao visitante um panorama diversificado sobre da cultura dos Macondes, um dos povos predominantes nesta região.






ião.

RESULTADO DAS ELEIÇÕES EM ANGOLA

Em 23 de agosto o povo angolano foi as urnas para participar de eleições gerais,  elegendo o novo presidente da República e a assembléia nacional.  Foi a primeira eleição na qual José Eduardo dos Santos, que está na presidência desde  1979,  não concorreu.  

Os resultados parciais que estão sendo divulgados pela comissão eleitoral,  com 64% dos meus votos  apurados,  já indicam ampla vitória do MPLA que,  além de eleger o  presidente , terá maioria qualificada na Assembléia Nacional

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

MIGRAÇÃO AFRICANA

A migração africana será tema de debate numa mesa redonda promovida pela Universidade Pedagógica de Moçambique,  Delegação de Nampula.

Será nesta quinta,  23 de agosto,  no campus de Napipine, às 9h.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

João Reis agradece Prêmio da ABL

Veja  a seguir  o pronunciamento do professor João José Reis ao receber  o prêmio Machado de Assis,  concedido pela Academia Brasileira de Letras.  Uma aula sobre história,  passado em conexão viva com o presente.  Combativo e atento aos problemas atuais.  

DISCURSO EM AGRADECIMENTO AO PRÊMIO MACHADO DE ASSIS ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, 20 de JULHO de 2017
João José Reis
Sou grato aos membros desta Academia por considerar minha obra merecedora do Prêmio Machado de Assis. Sendo um historiador da escravidão (embora não apenas) permitam-me imaginar a concessão do prêmio, quando a Academia cumpre 120 anos, como uma homenagem àqueles dentre os seus fundadores que, entre outros, militaram contra a escravidão -- penso em Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e, muito especialmente, Machado de Assis, que dá seu nome a este laurel. Neto de escravos, Machado, além de abolicionista arguto, radical, embora discreto, foi a seu modo historiador da escravidão, no que acompanho um de seus mais destacados intérpretes, Sidney Chalhoub, também historiador da escravidão.
Outro historiador, o acadêmico Alberto da Costa e Silva, aqui presente, avaliou perfeita e concisamente o peso desse sistema de trabalho e modo de vida para o Brasil: "A escravidão foi o processo mais importante e profundo de nossa história." Não podia ser diferente: durou perto de 400 anos, contra apenas 129 anos de liberdade; o tráfico transatlântico luso-brasileiro importou quase metade dos 11 milhões de suas vítimas; e o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão.  Ela deixou marcas indeléveis na sociedade que nasceu de seus fundamentos e ainda nos assombra com fantasmas de várias espécies – as desigualdades sociais e raciais, o racismo sistêmico, o racismo episódico, agora mais assanhado pelo anonimato da internet (já chamado "racismo virtual"), hoje o principal veiculo de pregação de todos os ódios, inclusive do ódio racial.
O Brasil precisará de esforço hercúleo para livrar-se desse passado que se recusa a passar. O principal caminho talvez seja mais informação, mais educação e ações afirmativas, umas entrelaçadas com as demais. Neste sentido, algumas medidas reivindicadas pelos movimentos negros foram adotadas nas últimas décadas. Entre elas, destacaria três: as cotas educacionais, o ensino da história afro-brasileira e a criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.
As cotas sociorraciais para ingresso nas universidades públicas já resultaram em mudança na cor dessas instituições, corrigindo em muitos casos a quase exclusividade branca nos cursos de maior prestígio – Medicina, Direito, Engenharia. Apesar de problemas aqui e ali, as cotas estão dando certo.
A introdução, no ensino fundamental e médio, de disciplina voltada para a história e a cultura afro-brasileiras, com ênfase na história da África, prometia uma equiparação a conteúdos sobre a história da Europa. Lamentavelmente, a disciplina desapareceu da nova Base Nacional Comum Curricular. E a África voltou a ser emparedada naquela acepção, denunciada por Cruz e Souza, de "África grotesca e triste, melancólica, gênese assombrosa de gemidos, África dos suplícios e das maldições eternas", enfim, a África que predomina na grande mídia, refém de uma "história única", na expressão certeira da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Torço pelo retorno da África às escolas.
Uma história de outras vozes está representada na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – a UNILAB, implantada a partir de 2011 como um gesto, ainda que acanhado, de solidariedade com um continente pilhado pelo tráfico luso-brasileiro de cativos. Essa instituição acolhe em suas salas de aula quase mil alunos africanos, mediadores qualificados de suas Áfricas com o Brasil, jovens que recebem pequena bolsa mensal de 530 reais. Pois a comunidade da UNILAB esteve ameaçada recentemente com o corte desse minúsculo item do orçamento nacional. Urge defender a UNILAB!
Políticas de inclusão racial, além do esforço para educar e informar todos os brasileiros sobre a imensa contribuição dos africanos e seus descendentes para a formação histórica e cultural do país, são, entre outras, medidas necessárias – não sei se suficientes – no combate ao legado nefasto da escravidão. Prefiro acreditar que seja produto da ignorância, e não desfaçatez, gestos de delinquência simbólica como batizar um restaurante chique de Senzala. Desejo, desejamos um país onde não seja preciso uma jovem negra empunhar, numa recente manifestação de rua, cartaz que dizia: "A casa-grande surta quando a senzala aprende a ler."
Invocar a escravidão passou à ordem do dia. Com uma maioria de detentos negros (cerca de 60%) amontoados em espaço exíguo, nossas prisões são comparadas a senzalas onde não é servida a boa comida do restaurante Senzala. Comparação talvez injusta, porque a vida de seus escravos valia mais para o senhor do que parece valer a vida dos presos para os governos e a sociedade que, conivente, se cala. Preso não conta como cidadão, ele é preto, ou, se branco, é também preto de tão pobre – já acusou Caetano Veloso. A precariedade da cidadania, filha da desigualdade social e racial, tem sido vinculada ao passado escravista com insistência. Ainda na semana passada, Milton Hatoum escreveu em sua coluna de O Globo: "Quase quatro séculos de escravidão, e mais de um século de uma democracia manca, interrompida por várias ditaduras, só poderiam gerar uma sociedade extremamente desigual."
Há, no entanto, outra dimensão inquietante nessa ordem de questões, que é quando, em vez de alegoria, a escravidão se insinua como dado de realidade efetiva ou em construção.
Como no passado, o ciclo começa com o tráfico – de trabalhadoras e trabalhadores sexuais, domésticos, industriais ou rurais. Imigrantes legais e ilegais são com frequência resgatados de porões insalubres nas grandes cidades, onde trabalham, moram e morrem. Na zona rural chovem denúncias de pessoas submetidas a trabalho (forçado, exaustivo, degradante) análogo à escravidão, matéria que hoje mobiliza pesquisadores e membros da Justiça do Trabalho numa discussão que já ganhou foro internacional.
A recentíssima reforma trabalhista causa temor a quem entende do assunto. Segundo o auditor fiscal do trabalho Luís Alexandre farias, “as mudanças criam condições legais e permitem que a legislação banalize aquelas condições que identificamos como trabalho análogo ao escravo”. E a respeito do princípio do negociado sobre o legislado, o procurador do MPT Maurício Ferreira Brito, que encabeça a Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, advertiu sobre o perigo da escravidão voluntária: "A depender do que se negocie", ele alertou, "você pode legalizar práticas do trabalho escravo." Seria uma graça que este procurador fosse tão ouvido quanto os de Curitiba. Faltou falar da licença agora dada ao capital para empregar a mulher gestante em ambientes insalubres. Não me convencem as ressalvas da lei: se isso não é trabalho degradante, o que mais será?
Sobre a reforma trabalhista, aceitem um exercício de imaginação pessimista. Não resisto a comparar o "trabalho intermitente" ali contemplado com o sistema de ganho ou de aluguel nas cidades escravistas: no primeiro caso, o senhor mandava o escravo à rua para alugar ele próprio sua força de trabalho; no segundo, o senhor escolhia um locatário. Circulava o escravo ao ganho ou de aluguel entre um e outro e mais outro empregador, como cumprirá fazê-lo o trabalhador intermitente do novo Brasil. Um professor, por exemplo, poderá, como autônomo intermitente servir em vários estabelecimentos de ensino, um dia num, no dia seguinte mais um, depois ainda outro. Nascerá, assim, o professor ao ganho.
Some-se a recente Lei da Terceirização e alcançamos o quadro quase completo de precarização radical do trabalho. A terceirização agora vale para atividades fins. Ainda no setor do ensino, empresas que antes limitavam-se a fornecer empregados para atuar na segurança ou na limpeza, poderão doravante oferecer professores a escolas, faculdades e universidades, e fazê-los circular de acordo com a demanda do mercado. Nascerá, então, o professor de aluguel.
Por felicidade, já passou meu tempo de ser professor ao ganho ou de aluguel. O emprego em regime de dedicação exclusiva na Universidade Federal da Bahia deu-me a oportunidade de ser um professor pesquisador. À minha universidade e aos órgãos de fomento de pesquisa, em especial ao CNPQ, eu agradeço ter podido escrever a obra historiográfica agora premiada. Dela já falou, com generosidade, o professor José Murilo de Carvalho.
Queria apenas acrescentar que meus livros, artigos, capítulos em coletâneas etc, foram e continuam a ser escritos com paixão pelos temas de que tratam, sem o selo de garantia da objetividade perfeita exigida pelo positivista. Busquei, sim, a compreensão weberiana. No entanto, não permito que minhas inclinações ideológicas e minha utopias pautem as interpretações que faço dos processos, episódios e personagens sobre os quais escrevo. História panfletária, nem pensar! Me curvo às evidências que brotam dos arquivos, e elas não cessam de surpreender com um universo muito mais complexo do que caberia numa explanação fácil e porventura maniqueísta, que divida o mundo entre o herói e o bandido.
Meus livros são povoados de escravos que fogem de toda parte para toda parte, criam quilombos nas periferias da Cidade da Bahia ou nos mangues de Barra do Rio de Contas, se levantam em nome de Alá e de Ogum, mas nesses escritos também se encontram escravos que negociam com seus senhores um cativeiro menos opressivo. Escravos que querem e senhores que permitem a acumulação de bens e a compra da alforria. A maioria de meus personagens têm nomes, subjetividade, não são peças passivas da máquina escravista. Bilal Licutan, Luiz Sanin, Manoel Calafate, João Malomi, Francisco e Francisca Cidade, Zeferina, homens e mulheres à frente das revoltas escravas baianas. O alufá Rufino José Maria, liberto malê que virou cozinheiro de navio negreiro e pequeno traficante transatlântico de gente. Domingos Sodré, adivinho e curandeiro nagô que fornecia beberagens a escravos para amansar seus senhores, mas era ele próprio senhor de escravos. Manoel Joaquim Ricardo, dono de dezenas de escravos, liberto haussá que prosperou a ponto de ser contado entre os homens que formavam os 10% mais ricos de Salvador. E alguns outros mais...
Contudo, termino com um aviso aos navegantes: a ascensão social aconteceu para poucos escravos desembarcados ou nascidos no Brasil. A maioria morreu escravizada. No balanço final, fico com Joaquim Nabuco, que escreveu:
Não importa que tantos dos seus filhos espúrios tenham exercido sobre irmãos o mesmo jugo, e se tenham associado como cúmplices aos destinos da instituição homicida, a escravidão na América é sempre o crime da raça branca, elemento predominante da civilização nacional...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO CENTRO DE ESTUDOS AFRICANOS DA UEM


IV Conferência Internacional do Conhecimento às Decisões: desafio para um diálogo social permanente



Centro de Estudos Africanos - UEM, Moçambique

November 29, 2017 – November 30, 2017


O tema da IV Conferência Internacional do CEA privilegia estudos que não só produzam uma radiografia dos problemas, mas também proponham soluções para o desenvolvimento social e económico de Moçambique e África. Assim, esta edição optará por resgatar e explorar a importância das ligações entre o processo de produção de conhecimento científico e de tomada de decisões.
Para além das tradicionais sessões paralelas, o segundo dia de actividades contará com uma mesa redonda organizada em parceria com o Fundo Nacional de Investigação e o National Research Foundation da África do Sul, para debater experiências e criação de sinergias na elaboração de projectos de pesquisa conjuntos entre Moçambique e África do Sul.
Eixos temáticos
Constituem eixos temáticos da 4ª CICD os seguintes:
  1. Dinâmicas de Pesquisa em Saúde Pública, Sexual e Reprodutiva;
  2. População, Planeamento Territorial e Gestão de Terras;
  3. ­Agro-pecuária, Soberania e Segurança Alimentar;
  4. Exploração Sustentável de Recursos e Gestão de Desastres Naturais;
  5. Criança e Sociedade: Direitos, Educação e Saúde;
  6. Governação, Cidadania e Participação Política;
  7. Comunicação e Interculturalidade: os Media, Artes e Línguas;
  8. Dinâmicas Educacionais: Ensino, Pesquisa, Currículo e Papel das Universidades no século XXI;
  9. Património Cultural e Turismo.
Público - Alvo
Investigadores, docentes, estudantes, jornalistas, membros da sociedade civil e outros interessados.