Estamos assistindo mais um massacre da mídia contra o continente africano. Desde o início da crise do Ebola todos os órgãos de imprensa fala do "Ebola na África". Trata-se de uma renovação de velhos estereótipos, preconceitos contra os africanos e contra nós afro-descendentes. Essa abordagem renova as ideias hegemônicas no imaginário brasileiro que associam a África com doenças, miséria, fome e morte.
O problema da cobertura jornalística da crise do Ebola é insistir na velha generalização, é pegar uma acontecimento pontual, localizado, restrito e atribuir isso ao conjunto do continente.
Neste caso específico a epidemia devastadora atinge 3 países: Guiné, Libéria e Serra Leoa. O vírus chegou a ser levado para a Nigéria mas os nigerianos foram rápidos e firmes eliminaram o problema. Então, objetivamente estamos falando de uma epidemia que atinge 3 países de um continente que tem 55!! Isso mesmo, 3 de 55!
O risco da epidemia se espalhar para o resto do continente e o mesmo que existe de chegar em qualquer outra parte do mundo. Examinando as conexões aéreas dos países afetados, eu diria até que o risco do vírus ser levado para a Europa pode ser maior do que chegar em outras partes da África.
O que autoriza nossos sábios meios de comunicação em falar de "Ebola na África"??? Desinformação? ou seria pura má-fé e preconceito? Vamos pensar sobre isso.
Veja esse mapa muito bacana que está circulando pelas redes. "NO EBOLA".